Ela obscureceu sob águas-olhares
As cores calmas de sua procelosa inquietude
Um aviso iminente e uma precipitação
Impossível de luzes quentes
De correntes marinhas, molduras
Oceânicas, um quadro, o quadril
Finas pinceladas, poesia
Musa desenhada
Uma ilha que não acredita em adeus...
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A razão
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Morangos e doce de leite.
Estou de rei...
E o mundo virando de cabeça para baixo.
Gente passando fome e eu grato...
Cidades submergindo, casas pegando fogo,
Escolas vítimas de ataques bélicos...
E eu mordendo a rubra polpa suculenta da fruta.
E eu sentindo prazer com a delícia do açúcar...
Uma tristeza abençoada sangrou na minha boca.
Fui mordido por um delírio irônico de culpa!
Caduquei meus sentidos.
Eu comi a razão.
Estou de rei...
E o mundo virando de cabeça para baixo.
Gente passando fome e eu grato...
Cidades submergindo, casas pegando fogo,
Escolas vítimas de ataques bélicos...
E eu mordendo a rubra polpa suculenta da fruta.
E eu sentindo prazer com a delícia do açúcar...
Uma tristeza abençoada sangrou na minha boca.
Fui mordido por um delírio irônico de culpa!
Caduquei meus sentidos.
Eu comi a razão.
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Acordar para dentro
domingo, 31 de julho de 2016
Eles dizem que eu existo
mas não sabem quem eu sou
só podem ver o que está pronto
e eu: nem tanto, quem sou eu?
falam que sou meu próprio sonho
mas quem sonha? não sei ser
não sei fingir
acordar para dentro
só sei que olhar é um sonho perdido
sou como o sono...
o abismo certo
entre sonhar e fazer sentido.
mas não sabem quem eu sou
só podem ver o que está pronto
e eu: nem tanto, quem sou eu?
falam que sou meu próprio sonho
mas quem sonha? não sei ser
não sei fingir
acordar para dentro
só sei que olhar é um sonho perdido
sou como o sono...
o abismo certo
entre sonhar e fazer sentido.
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Verbonovidade
terça-feira, 26 de julho de 2016
Vá à praça.
Caminhe. Pague para ver.
Onde começa este poema?
Nos seus passos.
Não, não tem rima.
Viver é o verbo novidade
Permita-se.
Caminhe. Pague para ver.
Onde começa este poema?
Nos seus passos.
Não, não tem rima.
Viver é o verbo novidade
Permita-se.
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O sorriso
domingo, 24 de julho de 2016
Lindo é o sorriso espontâneo, que escapa feito o vento, sem previsão, e move o mar, as aves, as árvores, sem a nenhum deles faltar... Sorriso que rende e reanima, que é ponte do denso para o sutil, alento que contorna o tenso para o anil e encontra, cada vez mais bobo e leve, elevadas atmosferas, o sorriso estratosférico, sorriso natureza, regozijo de grandeza planetária que, num diminuto instante, contagia os olhos da gente, alimentando o sagrado fogo da alma!
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Coração da música noturna
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Que Lua!
Que divina Lua!
Do hálito fresco, do olhar imantado de luz!
Coração da música noturna.
A lua é líquida dentro de mim
O Luar me percorre! Inebria!
Eriça a natureza na pele da noite...
Beija o meu sangue! Inunda a minha carne!
E perfuma a minha mente
Com o céu universal.
Que divina Lua!
Do hálito fresco, do olhar imantado de luz!
Coração da música noturna.
A lua é líquida dentro de mim
O Luar me percorre! Inebria!
Eriça a natureza na pele da noite...
Beija o meu sangue! Inunda a minha carne!
E perfuma a minha mente
Com o céu universal.
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Solve e Coagula
terça-feira, 19 de julho de 2016
Enquanto lentos dias acumulam pousos
A carne solve e coagula os pensamentos
A mente força tensões sobre o corpo
Desenhando um caminho energético
Que condensa pesos fantasmagóricos...
Por isso fecho os olhos e percorro cada célula
Peço a cada parte do meu corpo que relaxe
Sinto apenas meu calor, meu lume
Sirvo-me da fonte do meu pleno ser
Para transcender os anseios que me consomem.
A carne solve e coagula os pensamentos
A mente força tensões sobre o corpo
Desenhando um caminho energético
Que condensa pesos fantasmagóricos...
Por isso fecho os olhos e percorro cada célula
Peço a cada parte do meu corpo que relaxe
Sinto apenas meu calor, meu lume
Sirvo-me da fonte do meu pleno ser
Para transcender os anseios que me consomem.
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Dignidade
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Estou tentando falar com você desde ontem!
Aconteceu algo... Não sei bem como te contar. Talvez eu nem devesse, mas... A verdade é que, fosse comigo, eu gostaria que me avisassem. Enfim... Ontem VI SUA DIGNIDADE ANDANDO COM OUTRA PESSOA. Ela parecia infeliz... Olha... Eu sei que não devia me meter nisso, mas poxa! Como você foi deixar isso acontecer? Como você conseguiu deixar ela ir embora assim, sem tentar, com todo o seu espírito, fazê-la ficar? Dignidade não é coisa que tanto faz! Tem que saber dar valor! Quantos vacilos bobos, quantas gotas até encher o amargo copo da droga que te fez ver um sujo bronze no lugar do ouro? Me perdoe se estou me excedendo... É que via vocês juntos e isso me dava uma alegria indescritível. Você sabia quem era (na verdade, isso nem importava), era capaz de suportar qualquer jornada, tinha confiança no seu próprio coração. Seu "bom dia" tinha poder, tinha presença. Você era livre. Sou seu amigo. Me preocupo contigo. Não gosto de te ver assim! Você já nem sonha bem, hipotecou a própria imaginação, é uma fera escondida e adestrada, deformada pelo poder das aparências! Onde está aquele brio dos seus olhos?
Me liga quando ouvir esse recado... E... Sério... Corre atrás! Não há futuro que não caiba no presente. Não perca o que realmente é importante.
Aconteceu algo... Não sei bem como te contar. Talvez eu nem devesse, mas... A verdade é que, fosse comigo, eu gostaria que me avisassem. Enfim... Ontem VI SUA DIGNIDADE ANDANDO COM OUTRA PESSOA. Ela parecia infeliz... Olha... Eu sei que não devia me meter nisso, mas poxa! Como você foi deixar isso acontecer? Como você conseguiu deixar ela ir embora assim, sem tentar, com todo o seu espírito, fazê-la ficar? Dignidade não é coisa que tanto faz! Tem que saber dar valor! Quantos vacilos bobos, quantas gotas até encher o amargo copo da droga que te fez ver um sujo bronze no lugar do ouro? Me perdoe se estou me excedendo... É que via vocês juntos e isso me dava uma alegria indescritível. Você sabia quem era (na verdade, isso nem importava), era capaz de suportar qualquer jornada, tinha confiança no seu próprio coração. Seu "bom dia" tinha poder, tinha presença. Você era livre. Sou seu amigo. Me preocupo contigo. Não gosto de te ver assim! Você já nem sonha bem, hipotecou a própria imaginação, é uma fera escondida e adestrada, deformada pelo poder das aparências! Onde está aquele brio dos seus olhos?
Me liga quando ouvir esse recado... E... Sério... Corre atrás! Não há futuro que não caiba no presente. Não perca o que realmente é importante.
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Semáforo
sexta-feira, 15 de julho de 2016
O monge mais calmo pediu-me uma moeda
Eu sabia que era um truque
Então perguntei se de ouro ou de pedra
Ele riu e me deu uma palavra
Um poderoso mantra, se bem entendi
"Obrigado", ele dizia
Enquanto levava de mim
Um tesouro menor do que o que deixara.
E esgueirando por entre carros
Sentou-se ao lado de sua esperança
Que o aguardava ao pé do semáforo...
Eu sabia que era um truque
Então perguntei se de ouro ou de pedra
Ele riu e me deu uma palavra
Um poderoso mantra, se bem entendi
"Obrigado", ele dizia
Enquanto levava de mim
Um tesouro menor do que o que deixara.
E esgueirando por entre carros
Sentou-se ao lado de sua esperança
Que o aguardava ao pé do semáforo...
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Nos dentes
terça-feira, 12 de julho de 2016
Não se engane, a alma não se esconde
Ondula, vai, mas vem, borbulha
Solve e coagula em superfície, bate
E desembrulha o corpo da verdade na praia
Ressuma, mareja, marulha na areia
Das suas palavras-acidentes...
O que quer que exista dentro de você
Vai dar com a língua nos dentes...
Ondula, vai, mas vem, borbulha
Solve e coagula em superfície, bate
E desembrulha o corpo da verdade na praia
Ressuma, mareja, marulha na areia
Das suas palavras-acidentes...
O que quer que exista dentro de você
Vai dar com a língua nos dentes...
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Overdose
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Fátima Maria ontem estava diferente
era pura poesia caminhando
sorridente pelas ruas
deu bom dia
para as árvores e as casas
gingando ao som da música
da própria alma
e tudo a respondia
tudo ressoava
a voz do mundo falava
em tudo e ela ouvia, Fátima Maria
a louca maltrapilha, a alcoólatra
a mãe, a filha e as escolhas ruins
morreu dançando na rua
delirando nua
uma overdose de amor.
era pura poesia caminhando
sorridente pelas ruas
deu bom dia
para as árvores e as casas
gingando ao som da música
da própria alma
e tudo a respondia
tudo ressoava
a voz do mundo falava
em tudo e ela ouvia, Fátima Maria
a louca maltrapilha, a alcoólatra
a mãe, a filha e as escolhas ruins
morreu dançando na rua
delirando nua
uma overdose de amor.
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