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Signo Mundi

segunda-feira, 1 de agosto de 2016


A natureza quer, criativamente, através de seu corpo, a experiência da vida. Isso acontece, ao longo tempo, por meio da diversidade, das relações entre as informações que compõe nossa realidade compartilhada - percebidas e organizadas pela consciência que habita cada ser.

Tudo é manifestação de existência. Energia navegando num mar cujo comportamento, ainda que permita um infinito de possibilidades de vir-a-ser, possui características fundamentais, padrões que atuam como letras e regras de linguagem que dão corpo aos textos do mundo.

As informações, na forma da energia, representando a manifestação do fenômeno da existência, organizam-se para, orbitando campos de ideias essenciais, compor sistemas autopoiéticos cujas identidades próprias são reveladas pelo comportamento sincrônico dos fragmentos que os caracterizem...

Mentira

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Dizem que a palavra vale prata e, o silêncio, ouro
É mentira. Há palavras e silêncios mais valiosos que o ouro
Assim como há palavras e silêncios que nos desgraçam
O importante é: não deixe que comprem sua palavra com prata
Nem seu silêncio com ouro.

Comuns

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Muitas coisas nos separam, mas
Todo ser humano vivencia experiências fundamentalmente iguais.
As coisas que nos são comuns... Já parou para pensar sobre elas?

Interpretações...

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Estava eu lendo o mito de Hércules contra o leão de Neméia e... Refletindo sobre as relações entre o ser e a sociedade, comecei a viajar nessa ideia: Reduzimos a vida natural circundante à cultura social... No meio disso, nos encontramos e nos perdemos... Nos encontramos porque somos animais semióticos, e nossa organização nos enriquece de possibilidades de significações... Todavia... Por sermos animais mitologizando nossa existência, também nos perdemos de nossa razão fundamental... Existir aqui e agora, pulsando sangue, contemplando estrelas, é mais do que podemos definir, no entanto, todo o nosso maravilhamento por participar do mistério, e também todo o nosso assombro diante do desconhecido, revelam a riqueza de nossa sensibilidade perceptiva: todo o corpo trabalha para manter um sonho que caminha, um sonho sonhado pela natureza do mundo... Isso me faz crer que o universo quer tanto a vivência plena das possibilidades, que pôs-se a caminhar com nossos pés, sem certezas, apenas interpretações...

Real

sábado, 23 de julho de 2016

Sente-se desconfortavelmente. Fique nessa posição até doer seu corpo. Force mais, espere ficar insuportável, resista, acostume-se.
É possível habituar-se à dor. Muitas vezes nem percebemos, mas nos colocamos em desconforto quanto a nossos sentimentos, intenções ou atitudes e nos forçamos contra nossa própria natureza.
O corpo é sábio e nos avisa que há desconforto, da mesma forma, se soubermos ouvir nosso próprio interior, tornamo-nos conscientes de nossos fluxos energéticos e reais necessidades.

Meu devaneio

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Nesta vida, entendi que minha tramontana é o sonho. Coisas simples, distantes, me fascinam. Me sinto um pouco distante também. Não tenho parte com as coisas demasiadamente urbanas... Muito embora esteja mergulhado nelas... Minha alma é coisa alienígena, gosta é de passarinhos livres, de riachos rindo, de ficar ouvindo e vendo o vento passeando a mais calma música nas folhas das árvores... Amo contemplar as coisas, ficar pensando elas...
O mundo artificial me assombra, por vezes. Significados me preocupam. Desde sempre fico encucado com aquilo que ouço falarem da natureza, da humana condição, da vida... Então escrevo, eu quero poder colaborar, transformar pela linguagem, provocar epifanias... Por isso trabalho lapidando minhas palavras por meio da poesia, que é livre e inspira sempre alguém... Minha preocupação nessa vida é ter algo de valor para que leiam ou ouçam de mim, pois o mundo precisa, penso, acima de tudo, da poesia.

Hábito

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Hábito. A repetição, a insistência. Literalmente falando, hábito significa vestimenta - peça de roupa (somos estimulados a usar todos os dias). Algo que retomamos com assiduidade.
Caminhar assim; cumprimentar daquele jeito; comer dessa forma; falar novamente sobre aquilo... É um eterno retorno. Criar um hábito é como mecanizar uma ação. O lado 'b' da coisa é que dadas as condições iniciais, começamos a repetir nossos hábitos sem refletir sobre eles. Não é algo que sempre vá acontecer (o automatismo inconsciente), mas é uma constante que só tem fim quando percebemos o piloto automático e tomamos a navegação novamente, com força de vontade.
O hábito tem poder físico. Está no âmbito da ação, e assim sendo, interfere diretamente sobre a matéria. Nossa mente, por exemplo, se exercitada, aumenta seu poder, por exemplo, de concentração. Pense nas possibilidades.
A maior parte dos nossos hábitos nós engolimos vindos de fora. Absorvemos o comportamento alheio (ou que o alheio quer que absorvamos) e repetimos sem questionar. Entretanto podemos cultivar um hábito.
O assunto é deveras interessante, porém não me atrevo a passar de uma breve instigação:
Pare por um minuto e pense nos seus hábitos atuais - em todas as suas manifestAÇÕES. Depois, pare por um minuto e vinte e seis segundos e pense naqueles hábitos que você quer desenvolver...
Refletir sobre os hábitos leva-nos a compreender o poder que eles têm em nossa vida (no corpo, na mente, nas emoções etc).
Direcione a sua atenção conscientemente. Se você não começar a mudança, ela nunca acontecerá. E você sabe que é capaz. Exercite sua força de vontade. Você está vivo agora, e tem somente este momento para fazer o que quer. Não desperdiçe sua existência no piloto automático.

(m)Alquimia

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O tempo muda o sabor das pessoas
Conheci gente doce, muito doce...
Que azedou-se.

Preço

domingo, 3 de julho de 2016

Muitas vezes, para encontrar uma resposta,
É necessário que esqueçamos a pergunta...

Perder-se, sem deixar de saber onde está

domingo, 19 de junho de 2016

Quase nunca escrevo sobre mim, muito embora haja quase sempre muito de mim no que escrevo. Para escrever, eu medito alucinadamente: é um transe poético. O poeta vive o sonho, ele não é quem é, nem é o que escreve. É um mensageiro. A maioria dos pensamentos é que me encontram, quando não me dito. Muitas vezes acabo sendo outra mente, em algum outro lugar ou tempo neste ou noutro planeta... Eu vivo outra vida, para não virar um museu... Essa é a poesia, a palavra pupação em movimento perene. O poema é um mapa para chegar ali. Mas não existem direções definidas, então... Cada cabeça lê o mapoema de uma forma diferente... A labuta é escrever um mapa que todos possam ler de qualquer forma e sempre dê em poesia. Por isso, ser um só não basta. Por vezes pode soar controverso, confuso, estranho, mas isso só ocorre se se ignorar a licença poética e a existência do eu lírico... A labuta de quem lê é perder-se no poema, sem deixar de saber onde está.

Há muito mais...

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Há muito mais do que o que se manifesta através do comportamento do ser. A raiz, o próprio SER, é algo que flui por entre as informações, identificando-se, realizando a si, contudo, esse SI é algo maior, outro resultado da natureza do universo, não condicionado ao comportamento, mas vivenciando-se através deste último.

O engano está em assumir que o comportamento é a identidade absoluta do ser, aprisionando-o, destarte, numa imagem historicamente situada, quando, na verdade, o ser pode deliberadamente não ser. É a liberdade sem rosto da consciência (o tal do livre-arbítrio) que fundamenta a experiência individual do organismo consciente.

A própria constituição do tecido existencial só é possível graças às intermináveis combinações entre as informações que o compõem, mas como julgar a natureza do universo a partir de suas manifestações? Contemplo, admirado, toda a resplandecente manobra do ocaso, contemplo tudo, todavia resta a questão: quem vestiu os meus olhos para saber-me?

Ninguém andou por sobre minha pele, ninguém sentiu este ponto no espaço-tempo. Quem pode julgar-me? Como posso julgá-los? Não vivo para sobreviver, eu não quero lutar, eu quero o tempo, o bom tempo, a raiz, o tronco, as folhas e o vento. Ouvir as paisagens em que este ponto autoconsciente existe, é isso que me importa: a árvore!

Leve

domingo, 5 de junho de 2016

Eu não sou o tipo de pessoa que fica "pisando em ovos". Eu não estou nem aí para o seu conceito de certo ou errado, ordem ou desordem, importante ou banal... Para mim, você não sabe de nada! Só o que te sobrou do que veio de fora. Mas por dentro, o que é que você oferece a partir daí? Ovos, talvez... Algo quebrantável, cascas, vida... Você oferece a própria vida ao tempo, ao existir, a troco de quê, mesmo? Ovos, talvez, algo insustentável! Útil, quem sabe bom, às vezes, mas pouco, sozinho. Já eu... Eu sobrevoo as cascas, orbito a dúvida, não creio em lógicas só porque fazem sentido, eu quebro a cara... Aprendo o mundo como quem examina universalidades, eu não busco agradar quem quer que seja, eu sou o seja, o resto é o faça-se e, no centro, há a terra, a extensão viva de sonhares, o planeta rodopiando os seres, deixando-os confusos, trocando os olhares, tentando entender... E eu ali, assistindo tudo e aprendendo a viver-me mais que pensar-me, no bem. Eu sou o tipo de pessoa que gosta de pisar o pé no chão, sabendo que está voando no meio do espaço... Afinal, na esfera existencial, todo ponto é um centro, inclusive o ovo pode ser o centro do universo, mas esse papo não é novo. Importante é você saber: tudo se vive interiormente, então repense (com poesia) as paisagens que te habitam o ser. Te sobrevoo o ter. Choque teus ovos. Cheque teu ver. Eu piso firme... Feito a luz do amanhecer. 

O Livro do Mundo

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A Natureza é nossa primeira e grande mestra, nossa professora... Somos resultantes dos processos da Natureza e nela podemos encontrar reflexos do inominável em nós. Todo o nosso conhecimento, nossa saúde, nosso existir, tudo isso faz parte do banquete servido pela Natureza... Nós não somos seus hóspedes, somos seus filhos - compartilhamos muito mais que sua substância.

Não somos irmãos? Não somos fruto da ação do cosmos no espaço-tempo Terra?

Está diante de nós: o livro do mundo só não lê quem não quer!

Mas eu me encanto.
Eu amo seguir o rumo de um ramo
e ver no que árvores, que jardim,
tudo se dará, as profecias climáticas,
as vivências metafísicas,
toda a orquestra de falhas não fará mais sentido,
nós não mais tocaremos sons,
nós tocaremos nossas almas...

Poema em Substância

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Alma, pela própria origem, aquilo que anima. Animal, planta, homem, mundo: tudo está animado com esse presságio de chuva que vem chegando. A vida fala água e a vida sede responde. E eu só olhando.

O corpo da planta é a alma da planta declamando seu poema em substância. Nada é mais transcendental que a própria vida acontecendo agora. A natureza ri, ela vai, ela volta, ela chora... E nada me tira da cabeça que tudo que sou poesia é natureza noite, natureza dia, natureza corpo e alma...

Ao pé da janela, contemplo a escurecida tarde. Ouço as árvores, a brisa... E penso nelas... Para aprender o que somente observar a natureza ensina.
Copyright 2016 . Ronan Cardoso