Todos querem falar em culpa
Eu não os culpo se gritam ou sussurram isso
São apenas desculpas reconfortantes
Eu não nos vejo cientes, empoderados
Eu vejo cinzas... provocadas pelo fogo
À mercê do ar, destinadas a nutrir a terra
Bocas, numa íntima conversa entre fenômenos
Poderia não ser assim?
Poderíamos, de fato, ter poder sobre nossas vidas?
Quanta grandeza sentimos? Quantas realizamos?
Somos falhos?
Acenamos com a bandeira do orgulho
Passeia de mão em mão nosso melhor legado
Sorrimos, confusos diante uns dos outros
Desejamos a tempestade, mas nós a somos e passamos
Espera-se que todos saibam sempre fazer o seu melhor
"É sua história aqui, sua existência! Queime tudo!", dizem
Mas o sangue esfria e a chuva cai sem nada de especial
Isso é falta de poesia
Não há culpados, o que há é quem culpe!
E isso é falta de consciência
Não de capacidades
Esse olhar para x e não para y é nossa realidade
Somos um sonho com pernas, mas nossa vida desperta
É uma busca por asas
E quando voamos, queremos nadar
E quando nadamos, queremos culpar alguém
Porque não voamos
Nós não vemos a pessoa, vemos nossas ideias sobre ela
Sobre nós mesmos...
Sobre o que "aprendemos" a pensar?
Pensar não é um ato estático, condicioná-lo é insanidade!
Questiono o momento que sou, porém não ouso culpar-me
Meus limites nunca foram para os de fora não entrarem
Eles apenas me aprisionaram em ideias que guardei
E eu posso ver além disso, eu posso sentir, eu sei
Este momento em que somos é tão vastamente complexo
Tudo é tão profunda e perfeitamente costurado
Maravilho-me diante do momento
Como posso perder meu tempo buscando desculpas
Não me culpo, ocupo. Ocupo o espaço de minha identidade
Nada está sob controle! Viver não tem mapas!
Sou porque o mundo me é sem aspas
Eu não sigo a correnteza, eu a sou
Compreender este aqui é, talvez, o maior dos passos
Não se dança conforme a música, mas conforme o ritmo
O ritmo é resultado do mundo
Ou o mundo é resultado do ritmo?
Cabe apenas a você decidir
Mas decida apenas por si mesmo
Não é um espelho, nem a luz, nem a visão
Não há somente uma causa para o reflexo
Nem somente um efeito.
Olha direito.
A poesia
segunda-feira, 6 de junho de 2016
A poesia não é a cadeira de balanço da consciência
É a árvore intacta, plena de possibilidades
Árvore professora, mestra natureza, universidade transubstancial
O poeta não corta a árvore para dela se servir
O poeta sabe que a árvore é um ser magnífico
O que encanta o poeta é a beleza inerente e a inteligência da semente
Linhas e cores
Quando a vida é mais fresca à sombra de uma árvore
Quando o vento alucina as folhas
Quando o fruto está maduro
Tudo isso, o aroma intrínseco, a vida harmônica
É natural o sonho do poeta
A poesia não é a cadeira de balanço da consciência
É a árvore intacta, universidade transubstancial...
É a árvore intacta, plena de possibilidades
Árvore professora, mestra natureza, universidade transubstancial
O poeta não corta a árvore para dela se servir
O poeta sabe que a árvore é um ser magnífico
O que encanta o poeta é a beleza inerente e a inteligência da semente
Linhas e cores
Quando a vida é mais fresca à sombra de uma árvore
Quando o vento alucina as folhas
Quando o fruto está maduro
Tudo isso, o aroma intrínseco, a vida harmônica
É natural o sonho do poeta
A poesia não é a cadeira de balanço da consciência
É a árvore intacta, universidade transubstancial...
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Poesias
Leve
domingo, 5 de junho de 2016
Eu não sou o tipo de pessoa que fica "pisando em ovos". Eu não estou nem aí para o seu conceito de certo ou errado, ordem ou desordem, importante ou banal... Para mim, você não sabe de nada! Só o que te sobrou do que veio de fora. Mas por dentro, o que é que você oferece a partir daí? Ovos, talvez... Algo quebrantável, cascas, vida... Você oferece a própria vida ao tempo, ao existir, a troco de quê, mesmo? Ovos, talvez, algo insustentável! Útil, quem sabe bom, às vezes, mas pouco, sozinho. Já eu... Eu sobrevoo as cascas, orbito a dúvida, não creio em lógicas só porque fazem sentido, eu quebro a cara... Aprendo o mundo como quem examina universalidades, eu não busco agradar quem quer que seja, eu sou o seja, o resto é o faça-se e, no centro, há a terra, a extensão viva de sonhares, o planeta rodopiando os seres, deixando-os confusos, trocando os olhares, tentando entender... E eu ali, assistindo tudo e aprendendo a viver-me mais que pensar-me, no bem. Eu sou o tipo de pessoa que gosta de pisar o pé no chão, sabendo que está voando no meio do espaço... Afinal, na esfera existencial, todo ponto é um centro, inclusive o ovo pode ser o centro do universo, mas esse papo não é novo. Importante é você saber: tudo se vive interiormente, então repense (com poesia) as paisagens que te habitam o ser. Te sobrevoo o ter. Choque teus ovos. Cheque teu ver. Eu piso firme... Feito a luz do amanhecer.
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Reflexões
Do Centro
sábado, 4 de junho de 2016
A única coisa que permanece é a mudança
O mesmo brilho que me alumia os passos pode me cegar
Quando falo de mim, não estou falando de alguém
O único Deus que posso ver é o mundo
Cada erro é um desvio para fora de mim
A vontade pode (ou não) ser sua própria extinção
Quando falo de paz, não é de mim que falo
A mesma vida divide a substância-corpo existencial
A vontade presencia os fatos, crê nas regras
Cada caminho é um caminho para dentro de mim
O mesmo brilho que me alumia os passos pode me cegar
Quando falo de mim, não estou falando de alguém
O único Deus que posso ver é o mundo
Cada erro é um desvio para fora de mim
A vontade pode (ou não) ser sua própria extinção
Quando falo de paz, não é de mim que falo
A mesma vida divide a substância-corpo existencial
A vontade presencia os fatos, crê nas regras
Cada caminho é um caminho para dentro de mim
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Poesias
As Árvores
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Contei às árvores que também sou a noite. "Então mostre-nos suas estrelas", ela suplicaram-me. E eu lhes disse: "eu sou a noite, não o sonho que a habita".
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Poesias
O Livro do Mundo
quinta-feira, 2 de junho de 2016
A Natureza é nossa primeira e grande mestra, nossa professora... Somos resultantes dos processos da Natureza e nela podemos encontrar reflexos do inominável em nós. Todo o nosso conhecimento, nossa saúde, nosso existir, tudo isso faz parte do banquete servido pela Natureza... Nós não somos seus hóspedes, somos seus filhos - compartilhamos muito mais que sua substância.
Não somos irmãos? Não somos fruto da ação do cosmos no espaço-tempo Terra?
Está diante de nós: o livro do mundo só não lê quem não quer!
Mas eu me encanto.
Eu amo seguir o rumo de um ramo
e ver no que árvores, que jardim,
tudo se dará, as profecias climáticas,
as vivências metafísicas,
toda a orquestra de falhas não fará mais sentido,
nós não mais tocaremos sons,
nós tocaremos nossas almas...
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Reflexões
Estrelas ao Contrário
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Passei mal em plena rua. Ninguém me ajudou. Minha visão estava turva, eu cambaleava, pedindo ajuda, mas nada. Todos tão ocupados e eu sozinho na calçada perdendo consciência. Primeiro perdi a razão. Não podia me queixar, afinal, quem é que sabe de alguma coisa? Dava na mesma, mas... Ainda pensando assim eu perdi o equilíbrio e exagerei uma translação ao redor de mim mesmo, eu me orbitava e tropecei numa placa. Caí, tentando segurar alguma imagem do que sobrava de quem eu era, todas derramaram... A sociedade foi-me chovendo decadências, "estrelas ao contrário", alguém me sussurrava e eu não entendi. Perdi a identidade, perdi a noção. Não havia a quem recorrer, eu já não era ninguém. Anoiteci na rua, quase congelei. O tempo passou sem que eu notasse e, quando emagreci, quando eu não tinha nada, quando eu morri... Tiraram uma foto minha. O vivo enoja, enjoa, dá asco! O morto é coisa, é fácil. Coisa pode virar arte. Gente só pode ser arte se for gente ou coisa. Mas vivo eu era indigesto, eu era indigente.
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